Hipertensão na terceira idade
Hipertensão na terceira idade
Por que a pressão arterial sobe com a idade?
Estabelecendo uma analogia entre o corpo humano e um sistema hidráulico, os canos seriam os vasos sanguíneos; os rins, o ladrão por onde sairia o excesso de líquido; o coração, a bomba que faria circular esse líquido; e o cérebro, o computador que regeria todas essas funções. Da mesma forma que, com o passar dos anos, resíduos aderem aos canos, ocorre depósito de cálcio nos vasos sanguíneos, o que os vai enrijecendo e tornando mais estreitos -- o que obrigatoriamente aumenta a pressão do sangue no seu interior. Pressão arterial elevada acaba prejudicando não só os rins, mas o coração e principalmente o cérebro.
A pressão arterial sempre sobe com a idade?
A incidência de hipertensão está nitidamente relacionada com a idade. Aos 20 anos, 20% dos indivíduos têm pressão alta. Aos 80 anos, 80% têm hipertensão.
Ter pai e/ou mãe hipertensos é fator de risco para desenvolver a doença?
As manifestações genéticas são mais frequentes na população mais jovem. A partir do momento em que a subida de pressão é induzida pelo depósito de cálcio responsável pela resistência dos vasos à circulação, o componente genético é menor.
Que outras causas explicam a hipertensão nos idosos?
Especialmente nos estados pré-diabéticos (100 a 125 de glicemia), os idosos podem ter uma descarga maior da insulina que o próprio organismo produz. Essa hiperinsulemia libera substâncias que agem no cérebro e aumentam a absorção de sal pelos rins, o que acaba produzindo hipertensão. Lesões no endotélio (a camada interna que reveste os vasos) provocadas por diabetes, além de menopausa e alcoolismo, também predispõem à hipertensão e são prevalentes na população mais idosa.
A hipertensão é apelidada de “assassina silenciosa”, porque pode provocar conseqüências graves antes de produzir sintomas. Como as pessoas mais idosas descobrem estar com a pressão alta?
A hipertensão é uma doença realmente traiçoeira. Ao contrário do que se pode pensar, não dá dor de cabeça, tontura, zumbido no ouvido, sangramento nasal ou deixa o paciente ver estrelinhas durante o dia. A grande maioria dos idosos não apresenta sintoma nenhum e vai ao médico para uma consulta de rotina ou por outro tipo de queixa. Aí, quando medimos sua pressão, descobrimos que ela está muito alta, 21/14, 20/12. Esses valores têm de ser revertidos para os padrões normais a fim de evitar complicações graves. No entanto, isso tem de ser feito aos poucos, principalmente nos idosos.
Esse pico de pressão pode ser repentino?
É muito raro um idoso com pressão normal apresentar hipertensão de uma hora para outra. Em geral, a pressão começa a aumentar bem lentamente, aos 50 anos, e o problema só é diagnosticado bem mais tarde. Os sintomas não apareceram porque, de certa forma, seu organismo foi-se acostumando à elevação. Reverter o quadro abruptamente provoca sintomas deletérios, como tontura, sonolência e fraqueza, que induzirão o paciente a interromper o tratamento. Por isso, as doses de anti-hipertensivos são ajustadas devagar.
O controle da hipertensão arterial reduz muito os casos de derrame cerebral e, em geral, o tratamento requer a utilização de medicamentos. Se a pressão estiver apenas pouco acima do normal, o indivíduo pode ser tratado apenas com mudanças de estilo de vida?
Há pessoas que ainda não são hipertensas, mas têm níveis que suscitam alguma preocupação. Tanto é que os americanos classificam como pré-hipertensa a população com 13/9 e 13,5/9 de pressão arterial. Esses pacientes, muitas vezes, conseguem trazer os niveis pressóricos para a normalidade sem tomar remédios, mas adotando alguns cuidados. Primeiro, reduzindo o excesso de peso. Emagrecer cinco quilos faz baixar 5mm na pressão. Se era 16, cai para 15,5. Parece pouco? Não é, porque vamos somando conquistas. A prática de atividade física ajuda a reduzir mais um ponto. Diminuir a ingestão de sal, mais um ponto. Portanto, algumas mudanças nos hábitos de vida ajudam a baixar a pressão arterial.
Se um paciente de 60 anos, com pressão arterial discretamente aumentada, recebe do médico orientações para reduzir os fatores de risco, estabelecendo um plano para que ele perca peso, pratique exercícios e reduza o sal, quanto tempo deve-se esperar para comprovar o efeito benéfico dessas medidas?
Solicito que a pessoa retorne depois de um mês para acompanhar a evolução do caso. É muito difícil mudar os hábitos de vida. Conseguir que o indivíduo pare de fumar, diminua a ingestão de bebidas alcoólicas e de sal e pratique atividade física aos 60 anos pressupõe uma luta heroica, da qual jamais deveremos desistir. O tratamento não-medicamentoso que pressupõe mudança dos hábitos de vida pode ser indicado, com bons resultados, para qualquer faixa de idade.
É enorme a quantidade de anti-hipertensivos disponíveis, com variados mecanismos de ação. Mas a maioria desses remédios devem ser tomados a vida inteira, o que dificulta a adesão ao tratamento. Como resolver esse problema?
O primeiro passo é identificar o melhor remédio para cada paciente em particularSe a pessoa já teve um infarto, por exemplo, o remédio indicado é o betabloqueador, pois é específico para controlar a pressão e prevenir novos acidentes cardíacos. Com esses cuidados, consegue-se maior aderência ao tratamento, porque se evitam os efeitos adversos da medicação. Mas é fundamental alertar os pacientes e os profissionais que lidam com eles sobre a importância da aderência medicamentosa. Na Faculdade de Medicina de Santos, selecionamos um grupo de quase 200 idosos para investigar por que interrompiam o tratamento. A primeira causa foi a falta de dinheiro, como imaginávamos, porque nem sempre os remédios para controlar a pressão arterial são oferecidos gratuitamente. No entanto, como segunda e terceira causas, que somadas equivaliam à primeira, eles deixavam de tomar o remédio porque não entendiam direito a receita ou achavam que estavam curados. Portanto, metade dos hipertensos que abandonam o tratamento faz isso por desinformação.
Com que frequência o hipertenso medicado deve medir a pressão?
Se a pressão arterial não estiver controlada, deve retornar ao médico a cada mês para avaliação. Se estiver controlada, as consultas podem ser espaçadas, mas deve fazer novo controle a cada seis meses, no máximo.
É importante lembrar que o médico deve ser avisado sempre que o paciente fizer uso de anti-inflamatórios e de descongestionantes nasais, porque esses medicamentos podem interferir nos níveis da pressão arterial.
Fonte: http://www.abcfarma.org.br/noticias/hipertensao-na-terceira-idade.html

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